No âmbito da campanha de sensibilização do Outubro Rosa, organizada pelos alunos do 12.º A3, a Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) acolheu uma exposição de pintura e uma palestra subordinada ao tema «Superwoman», uma iniciativa que procurou promover a reflexão sobre a prevenção do cancro, dar visibilidade aos desafios enfrentados pelas mulheres perante a doença e sensibilizar a comunidade escolar para a importância da informação e do apoio.
A sessão teve início com uma apresentação musical de alunos do ensino básico, que interpretaram «Young and Beautiful», de Lana Del Rey. Ao longo do encontro, Leandra Reis, ao piano, e Agnes Golias, ao violino, intercalaram as intervenções com outros momentos musicais.
Na abertura, Alexandra Melo, psicóloga da Escola, abordou a evolução da perceção social de doenças como a tuberculose e o cancro. Recordando o silêncio e os tabus que, em décadas anteriores, envolviam estas enfermidades, destacou a importância de falar abertamente sobre o tema, promovendo a informação, a aceitação e a redução do estigma.
A psicóloga abordou igualmente as dimensões psicológicas associadas ao diagnóstico e ao tratamento, nomeadamente a gestão dos traumas e os desafios da aceitação, num contexto social em que persistem atitudes discriminatórias.

Um dos momentos centrais da palestra foi o testemunho de Vânia Froy, de 32 anos, jornalista de formação, atualmente diretora comercial e executiva da agência digital Mountain e coordenadora de Comunicação da Superwoman. Diagnosticada com cancro do colo do útero, partilhou com alunos e professores o seu percurso, desde o diagnóstico até aos desafios profissionais e pessoais impostos pela doença.
No seu testemunho, falou das dificuldades que encontrou no sistema nacional de saúde, situação que a levou a procurar acompanhamento e tratamento na África do Sul. Relatou igualmente uma experiência que considerou particularmente preocupante, uma proposta de remoção do útero que, segundo contou, lhe foi apresentada por profissionais de saúde em Moçambique.
Para além de expor as dificuldades do seu percurso, Vânia Froy dirigiu palavras de incentivo às mulheres que enfrentam situações semelhantes. Defendeu a importância de serem vistas para além da doença, sublinhando que o diagnóstico não deve reduzir uma mulher à condição de paciente nem apagar as suas outras dimensões de vida.
Em paralelo com a palestra, esteve patente uma exposição de pintura, com obras centradas na representação da figura feminina e nas transformações da sua imagem. Entre as composições, destacam-se rostos parcialmente cobertos por flores vermelhas, silhuetas femininas de cabeça rapada e figuras construídas a partir de cores intensas. Numa das telas, a fita cor-de-rosa, símbolo da sensibilização para o cancro da mama, envolve o rosto de uma mulher, estabelecendo uma ligação direta com a campanha.
As pinturas exploram diferentes formas de representar o corpo e a identidade feminina. As flores, os rostos parcialmente ocultos e as figuras sem traços faciais definidos introduzem elementos visuais que permitem refletir sobre a aparência, a vulnerabilidade e a transformação. Produzidas pelos alunos do 12.º A3, as obras foram expostas num espaço decorado com tecidos cor-de-rosa, integrando a expressão artística na campanha de sensibilização do Outubro Rosa.
A iniciativa terminou num ambiente de proximidade entre os participantes, com momentos de confraternização e abraços, encerrando uma atividade que procurou associar a expressão artística à informação e à reflexão sobre a saúde da mulher.
