Se para os alunos o regresso à escola começa nas expetativas sobre o novo ano, para quem os acompanha começa também nas prioridades, desafios e aprendizagens que se querem construir ao longo dos próximos meses. A partir das diferentes etapas do percurso escolar, cinco coordenadores apontam prioridades para o ano letivo 2026/2027: exigência académica, autonomia, adaptação, criatividade, socialização, responsabilidade e capacidade de enfrentar novos desafios.
Ana Besteiro, coordenadora do Ensino Secundário, coloca a exigência académica no centro, mas associa-a ao acompanhamento próximo e à formação integral dos alunos. A escola que recebe os alunos neste 2026/2027 deve conseguir conjugar “exigência académica, acompanhamento próximo e formação integral”.
Para a coordenadora, a educação não se limita à transmissão de conteúdos e deve também contribuir para o desenvolvimento da autonomia, da responsabilidade, do pensamento crítico e da capacidade de relacionamento com os outros. “Educar não é apenas transmitir conhecimentos”, sublinha. É também ajudar cada jovem a desenvolver autonomia, responsabilidade, pensamento crítico e capacidade de se relacionar com os outros.
Por seu turno, Patrícia Alves, coordenadora do 3.º Ciclo, defende uma EPM-CELP simultaneamente exigente e próxima, onde os alunos se sintam
acolhidos e escutados, mas também desafiados a questionar e a assumir responsabilidades.
A par da exigência académica, a coordenadora destaca a necessidade de uma escola atenta às mudanças do mundo atual. E entre as áreas que considera importantes estão a ciência, a tecnologia, a criatividade, a cultura, a cidadania e o compromisso com a comunidade.
E Ana Besteiro reforça essa visão, destacando também a necessidade de reconhecer os diferentes ritmos, características, talentos e necessidades dos alunos. Cada um tem os seus talentos, características e necessidades, e o compromisso passa por acompanhar esses percursos “com rigor, proximidade e confiança”.
No Ensino Secundário, essa atenção estende-se às escolhas que os alunos começam a fazer em relação ao futuro. Ana Besteiro considera importante ajudá-los a tomar decisões informadas sobre disciplinas, percursos e opções académicas, relacionando os seus interesses, capacidades e objetivos com as exigências de cada caminho.
Para isso, a orientação vocacional assume um papel importante. Mais do que uma intervenção pontual no momento de escolher uma área ou um curso, deve ser um processo contínuo, que permita aos alunos conhecer diferentes percursos, contactar com áreas de estudo e profissões e compreender melhor as possibilidades que têm ao seu alcance.
Nesse processo, a coordenadora chama também a atenção para a pressão colocada sobre os jovens. “É importante pensar o futuro, mas não é necessário ter toda a vida decidida aos 15, 16 ou 17 anos”, lembra a coordenadora. O futuro, explica, constrói-se através de escolhas sucessivas, aprendizagens, experiências e, muitas vezes, reajustamentos.
A escola deve, por isso, ajudar os alunos a organizar o trabalho, gerir o tempo e definir objetivos realistas, valorizando o progresso e o esforço e não apenas os resultados finais. O diálogo com as famílias é igualmente apontado como fundamental para que os jovens possam ser apoiados sem expectativas excessivas ou comparações permanentes.
Ao mesmo tempo, os desafios do Secundário não se esgotam nas escolhas académicas. Consolidar aprendizagens e desenvolver competências para além dos conteúdos disciplinares, aprender a comunicar, colaborar, resolver problemas e organizar o próprio trabalho estão entre as prioridades apontadas pela docente.
A relação com a tecnologia é outra das questões presentes neste novo ano, tanto no 3.º Ciclo como no Secundário. Num contexto de acesso permanente à informação, os alunos precisam de aprender a distinguir informação credível de informação enganadora e a utilizar as ferramentas digitais de forma responsável. A par disso, a escola pretende reforçar o equilíbrio entre o mundo digital e as relações presenciais.
O bem-estar emocional surge também como parte deste percurso. Reconhecer emoções, lidar com a frustração, pedir ajuda quando necessário e construir relações baseadas no respeito são aprendizagens que, para a coordenadora, não podem ser separadas do sucesso escolar.
A cidadania integra também esta visão do percurso escolar. A escola quer alunos capazes de pensar criticamente, respeitar diferentes perspetivas e compreender que fazem parte de uma comunidade, com direitos, deveres e responsabilidades.
Uma nova etapa, novas responsabilidades
Se no 3.º Ciclo e no Secundário os alunos começam a olhar mais diretamente para o futuro, no 2.º Ciclo há ainda um outro desafio pela frente: aprender a lidar com uma escola que passa a exigir deles uma organização diferente.
Armindo Bernardo, coordenador do 2.º Ciclo, encontra neste novo ano uma escola integrada, empenhada em assegurar continuidade no percurso educativo dos alunos. O cumprimento das Aprendizagens Essenciais definidas pelo Ministério da Educação continua a ser importante, mas a formação pretendida vai além dos conteúdos.
“Queremos que os alunos aprendam, mas também que desenvolvam competências pessoais e sociais, autonomia, sentido de responsabilidade, capacidade de trabalhar com os outros e gosto pelo conhecimento”, explica.
A prioridade, neste início de ano, passa também por garantir que os alunos se sentem “seguros, acolhidos e felizes”. A adaptação às novas rotinas e à vida escolar é considerada fundamental para que possam aprender e desenvolver-se, ao mesmo tempo que se procura assegurar uma passagem natural entre o 1.º e o 2.º Ciclos.
É uma transição que traz mudanças importantes. Mais disciplinas, diferentes professores e maiores exigências ao nível da organização e do estudo obrigam os alunos a assumir gradualmente um papel mais ativo. A escola procura, por isso, acompanhar essa mudança. Os alunos são chamados a compreender as novas rotinas, gerir o material e o tempo e perceber que passam a ter uma participação maior no próprio processo de aprendizagem.
Nesta fase, Armindo Bernardo considera essencial que encontrem orientação, proximidade e professores capazes de lhes dar confiança para enfrentar os novos desafios.
Ao longo de 2026/2027, um dos objetivos será consolidar as aprendizagens previstas nas diferentes áreas, garantindo os conhecimentos e competências essenciais para o percurso escolar. Mas a expectativa é que os alunos possam ir além da reprodução dos conhecimentos. O desafio é ajudá-los a “pensar, questionar, comunicar, colaborar e resolver problemas”.
Também aqui aparece a importância de aprender com aquilo que não corre bem. A escola quer trabalhar a capacidade de lidar com o erro, a frustração e a dificuldade, numa perspetiva em que experimentar, errar, voltar a tentar e encontrar novas estratégias faz parte do próprio processo de aprendizagem.
No final, pretende-se contar com alunos cada vez mais capazes de assumir o próprio percurso: trazer o material necessário, cumprir tarefas e prazos, organizar o estudo, cuidar dos espaços e dos materiais e respeitar os outros. Mas também alunos capazes de reconhecer as próprias dificuldades, pedir ajuda, procurar soluções e refletir sobre o seu desempenho.
Autonomia, socialização, comunicação e respeito pelo outro
Mas, antes de tudo isso, há quem esteja ainda a dar os primeiros passos. Sandra Camacho, coordenadora do Pré-Escolar, quer que o novo ano seja marcado
pela “criatividade, a imaginação, o empenho, a dedicação, e o amor”, como forma de dar segurança e confiança às crianças.
As prioridades começam pelo acolhimento e pela integração das crianças num ambiente seguro, confortável e afetivo, dando também continuidade às aprendizagens. Para as crianças desta etapa, os desafios passam pela autonomia, pela socialização, pela comunicação com os pares e os adultos e pelo respeito pelo outro.
O primeiro encontro com a escola merece, por isso, uma atenção especial. Para quem chega pela primeira vez, a receção deve ser calorosa e carinhosa, “com um grande sorriso no rosto, abraços e muita atenção”, para que as crianças se sintam bem acolhidas e a adaptação seja o menos difícil possível.
Nesta primeira etapa, as aprendizagens vão muito além das competências pedagógicas. Sandra Camacho destaca a autonomia, a responsabilidade, a empatia, a cooperação e o respeito pelo outro, mas também a confiança no adulto e em si próprio, a capacidade de expressar sentimentos e emoções, fazer escolhas e resolver conflitos.
No final, a expectativa é que as crianças sejam “curiosas, participativas, seguras, com gosto por aprender e felizes”.
“Aprender exige atenção e esforço”

No 1.º Ciclo, Teresa Jerónimo, coordenadora, coloca o foco na integração, na motivação e na construção de hábitos de aprendizagem. A escola que recebe os alunos neste novo ano é, para a coordenadora, “uma escola viva, cheia de boas energias e professores motivados”.
A integração dos alunos, a realização de atividades diversificadas e motivantes e a criação de experiências em que aprender e ser feliz possam acontecer em conjunto estão entre as preocupações apresentadas pela coordenadora.
Entre os desafios identificados está a concentração. Teresa Jerónimo considera que o tempo excessivo diante dos ecrãs pode contribuir para dificuldades em manter a atenção perante as exigências escolares. “Aprender exige atenção e esforço”, lembra.
A coordenadora alerta também para o risco de a falta de interesse pela aprendizagem surgir cedo e se tornar depois mais difícil a sua recuperação. Por isso, sublinha que a aprendizagem depende dos próprios alunos, mas também da colaboração dos encarregados de educação.
No final do 1.º Ciclo, a expectativa é que os alunos tenham consolidado competências básicas de aprendizagem, mas também tenham avançado em três dimensões que atravessam todo o percurso escolar: “autonomia, socialização e organização”.
Concluímos a abordagem destes coordenadores a este novo ano que agora se inicia com três motes essenciais: autonomia, socialização e organização. Que esta possa ser uma escola de acolhimento e respeito pelas diferentes etapas de crescimento dos seus alunos; uma escola em que prender seja também uma forma de conquistar confiança, responsabilidade, respeito pelo outro e vontade de autodescoberta!
