25 de setembro: 2.º ano faz uma viagem no tempo para valorizar o presente

No âmbito da disciplina de Estudo do Meio, os alunos do 2.º ano da EPM-CELP estão a realizar a atividade “25 de setembro – uma viagem no tempo: conhecer o passado ajuda a valorizar o presente”, uma proposta que parte desta data para levar os alunos a conhecer alguns dos principais momentos da História de Moçambique.

A atividade está organizada em três paragens que traçam uma linha do tempo entre o início da luta armada de libertação nacional, a independência do país e o presente, permitindo aos alunos acompanhar a sequência de acontecimentos e compreender a relação entre diferentes momentos da História de Moçambique.

Na primeira paragem, “1964 – 25 de setembro”, os alunos aprendem sobre o início da luta armada de libertação nacional, incluindo o primeiro ataque, ocorrido em Chai, na província de Cabo Delgado, na mesma data. Na segunda, “25 de junho de 1975”, dedicada ao ano em que Moçambique se tornou independente, aborda-se a independência do país e o significado da bandeira nacional enquanto símbolo de um país livre.

A última paragem situa-se no presente: “25 de setembro de 2026”, momento em que os alunos recordam a importância desta data na História de Moçambique, assinalando o Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique e a coragem dos combatentes pela independência do país.

A atividade inclui ainda a criação, em contexto de sala de aula, de um cartaz que representa as três paragens e organiza visualmente os acontecimentos, permitindo aos alunos acompanhar a sequência dos factos e compreender a passagem do tempo.

Segundo Sónia Carreira, professora do 2.º ano, o trabalho insere-se numa prática de articulação de conteúdos moçambicanos com o currículo português e procura adaptar temas históricos à idade dos alunos.

“Nós já fazemos esta articulação há muitos anos. No primeiro ciclo, fazemos a gestão do currículo português introduzindo factos, acontecimentos e aspetos da realidade de Moçambique. Este ano, esta questão ganhou uma dimensão diferente, mas já tínhamos materiais e este trabalho de articulação entre os dois currículos. Portanto, decidimos continuar a criar mais materiais e a alargar este trabalho”, disse.

No caso do 2.º ano, a opção foi aprofundar o conhecimento sobre as datas comemorativas de Moçambique, trabalhando os acontecimentos históricos de forma simplificada e adequada à idade dos alunos. O 25 de Setembro permitiu, assim, recuar até 1964, passar pela independência em 1975 e chegar ao presente.

“Pegámos na data e fomos perceber por que é que se comemora o 25 de setembro, por que é que se comemora o Dia das Forças Armadas e por que é que é esta data. E fomos até 1964, perceber que foi quando começou a luta armada de libertação nacional, quanto tempo durou, o que aconteceu depois e chegámos a 1975, quando Moçambique se tornou independente”, explicou.

De acordo com a professora, para alunos desta idade, a compreensão de acontecimentos ocorridos há várias décadas coloca alguns desafios, sobretudo na perceção do tempo histórico. Conceitos como “há muito tempo”, “ontem” ou “hoje” ainda estão em construção, sendo necessário partir de situações próximas da experiência das crianças.

Outro aspeto trabalhado em sala de aula é a compreensão do processo de descolonização. Segundo Sónia Carreira, é importante evitar que as crianças reduzam esse processo à ideia de que a independência significou simplesmente “mandar embora os portugueses”.

“Uma das coisas que também é difícil é perceberem o que é a descolonização. Não era querer que todos os portugueses fossem embora. Era querer governar o país, tomar as próprias decisões. Os portugueses podiam estar cá, mas quem tomava as decisões eram os moçambicanos. E isto, para eles, é uma coisa que temos de ir desconstruindo”, comentou.

A professora considera que algumas das ideias com que as crianças chegam à sala de aula resultam também de perceções construídas fora da escola. Por isso, o trabalho passa por distinguir as pessoas do regime colonial e por ajudar os alunos a compreender diferentes perspetivas sobre o mesmo período histórico.

“Temos de conseguir olhar dos dois lados. Há crianças que têm uma família de origem portuguesa e que podem ouvir em casa que os portugueses foram mandados embora. E há outras que podem ter ouvido outras histórias. Temos de separar as coisas: o colono era um regime, não as pessoas”, sublinhou.

A abordagem parte, muitas vezes, de situações do quotidiano. Para explicar às crianças ideias como liberdade, decisão e espaço próprio, a professora recorre a exemplos próximos da sua realidade, procurando transformar conceitos históricos em situações que possam compreender.

Para Sónia Carreira, a viagem pelas três paragens permite aos alunos perceber que as datas não estão isoladas, mas fazem parte de um mesmo percurso histórico. Ou seja, os alunos devem perceber “porque é que nós estudamos isto? Porque é importante percebermos, entendermos e criarmos um mundo novo para a frente, um maior entendimento, mais amizade, de estarmos mais juntos e de cada um ter o seu próprio espaço”.