josinaAssinala-se hoje em Moçambique o Dia da Mulher Moçambicana, ao qual se tem associado anualmente a EPM-CELP, cumprindo o feriado nacional que homenageia Josina Machel, falecida em 7 de abril de 1971, em Dar-Es-Salaam (Tanzânia), no Hospital de Kurassine. Foi esposa de Samora Machel, primeiro presidente de Moçambique.

A figura de Josina Machel simboliza o esforço e o papel da mulher moçambicana na luta de libertação nacional. Josina Machel é heroína histórica de Moçambique, tendo desempenhado papel ativo na fundação do Destacamento Feminino, sido chefe dos Assuntos Sociais e da Secção da Mulher no Departamento de Relações Exteriores da FRELIMO e, ainda, desenvolvido uma ação fundamental na criação do Centro Infantil de Nangade, destinado ao acolhimento de crianças órfãs, em Cabo Delgado.

Em Moçambique, a emancipação feminina beneficiou da luta armada de libertação nacional, que contou com o ativismo das mulheres, levando a FRELIMO a integrá-las no esforço do próprio combate nacionalista. Na atualidade, prosseguem, no campo social, as lutas pelo respeito dos seus direitos fundamentais, na tentativa de afastar ou eliminar ameaças como o assédio e abuso sexuais e a violência doméstica.


JOSINA, TU NÃO MORRESTE
(poema de Samora Machel, dedicado à sua mulher e escrito em 1971)


Josina tu não morreste porque assumimos as tuas
preocupações e elas vivem em mim.

Não morreste porque os interesses fundamentais que
defendias foram integralmente recebidos por nós, como
herança.

Definitivamente te separaste de nós, e a arma e mochila
que deixaste, esses teus instrumentos de trabalho, fazem
agora parte da minha carga.

O sangue que deste é uma pequena gota no muito que
já demos e temos ainda que dar.

A terra vive dos fertilizantes e quanto mais adubada
ela é, melhor a árvore cresce, maior é a sua sombra
frondosa, mais saborosos se tornam os frutos.

Do teu pensamento farei a enxada que revolve a terra
rica do teu sangue.

E crescerão os frutos novos.

Que a revolução alimenta-se do sangue dos melhores
que temos, daqueles que mais amamos.

Assim a missão do teu sangue: fazer dele exemplo vivo
a ser assumido, misturá-lo profundamente à terra
criadora, para que ele nunca seja inútil.

A minha alegria é que como patriota e mulher morreste
duplamente livre, neste tempo em que cresce o poder
novo e a mulher nova.

Nos últimos sofrimentos pedias desculpas aos médicos
de não os poderes ajudar.

A maneira como aceitaste o sacrifício é uma fonte
inesgotável de inspiração e coragem.

Quando um camarada assume tão intensamente os novos
valores, ele ganha o nosso coração, torna-se nossa bandeira.

Por isso, mais do que esposa, foste irmã, camarada,
companheira de armas.

Como chorar um companheiro de armas senão
empunhando a arma caída e prosseguindo o combate.

As minhas lágrimas nascem na mesma fonte em que
nasceu o nosso amor, a nossa vontade e vida
revolucionárias.

Por isso as lágrimas são determinação e juramento de
combate.

As flores que caem da árvore vêm preparar a terra para
que novas e mais belas flores cresçam na estaçãoseguinte.

A tua vida continua nos continuadores da Revolução.

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