web feira.livro19 28OUT19
Em mais uma participação na Feira do Livro de Maputo, a quinta edição ocorrida entre 25 e 27 de outubro, a EPM-CELP voltou a agitar o Jardim Tunduro, na capital do país, expondo no seu “stand” dezenas de obras das séries e coleções do seu catálogo de publicações e, adicionalmente, projetando um filme para a pequenada. No mesmo evento, o escritor português Valério Romão, que esteve em Moçambique a convite da nossa Escola e do Camões – Centro Cultural Português em Maputo, apresentou as suas ideias sobre o tema “O lugar dos prémios literários, o mérito e a valorização dos autores” na mesa-redonda que também juntou Mia Couto e Calane da Silva.

O “stand” da EPM-CELP ofereceu aos visitantes a diversidade literária produzida ao longo dos 12 anos de produção editorial da nossa Escola no campo da literatura infantojuvenil. Em longo dos três dias da Feira do Livro de Maputo, o público apreciou e adquiriu, em dimensão expressiva, as publicações da EPM-CELP, como, por exemplo, as obras “A primeira viagem de Vasco da Gama”, “Viagem pelo mundo num gão de pólen”, “A borboleta e o cavalo” ou “O coração apaixonado do embondeiro”, ou ainda “Poesia a gente inventa e dia brinquedo”, “Os amantes sem ninguém” e “Da égua que sorve a água pensando sorver a lua” da Coleção Acácias, bem como “Pátio das Sombras” da Coleção Contos e Histórias de Moçambique.

No sábado, dezenas de petizes assistiram ao filme de animação “O Menino e o Mundo”, escrito e realizado pelo cineasta brasileiro Alê Abreu. Lançado em 2014, a obra versa a vida de um menino, Cuca, que vive numa pequena aldeia do interior, do seu mítico país. Quando o pai abandona o lar e parte para a cidade grande, o menino fica com uma grande saudade dele. Triste e desnorteado, Cuca deixa a sua aldeia e vai mundo afora à sua procura. Durante sua jornada, ele descobre uma sociedade marcada pela pobreza, exploração de trabalhadores e falta de perspetivas.

Valério Romão discutiu “o lugar dos prémios literários”
O escritor português Valério Romão discutiu, em mesa redonda participada também por Mia Couto e Calane da Silva, “O lugar dos prémios literários, o mérito e a valorização dos autores”.

O autor da trilogia “Paternidades Falhadas” admitiu que, embora a questão do reconhecimento seja discutível e o facto de os prémios não estarem isento de políticas e de várias intenções, nada pode tirar o valor da premiação, sobretudo em princípio de carreira. “Um prémio monetário pode servir para um escritor ter mais seis meses só dedicados à escrita”, opinou Valério Romão, para quem suspeitas e incoerência nas atribuições de prémios fazem parte de qualquer área, ilustrando: “até na atribuição do Prémio Nobel encontrámos incoerências, grandes. Então, é bom para quem ganha usufruir daquele prestígio e não é bom estar obcecado pelos prémios, também porque a literatura não passa somente por aí”, disse o escritor português.

Para o escritor moçambicano Mia Couto, os prémios literários são importantes na medida em que reconhecem a própria literatura e o valor do escritor que, em determinado momento, precisa desse mérito que ajuda a criar confiança, mercado e uma relação com outros escritores. Mas “é preciso saber relativizar isso. Ninguém escreve para ter prémios. Se alguém escrever motivado pelos prémios de certeza que será infeliz para toda a vida, porque esse desejo nunca será inteiramente satisfeito. É preciso também saber que um prémio nem sempre reconhece melhor”, explicou o escritor.

Distinguido com vários galardões nacionais e internacionais, Mia Couto sublinhou a existência, em certos casos, de discrepâncias nas premiações. “Como é que se mede? Na prosa, na poesia. Quer dizer, no atletismo é fácil. Numa competição física é fácil, mas aqui há sempre critérios que são subjetivos, não literários. Às vezes, há interferência de outros interesses”, declarou Mia Couto, acrescentando que “os escritores não podem ficar inebriados com esse acontecimento. Vários escritores de grande importância mundial não ganharam prémios. Fernando Pessoa ficou em segundo lugar quando competiu num desses concursos, mas não ganhou. O escritor brasileiro João Guimarães Rosa também já concorreu e não ganhou prémio nenhum”, esclareceu.

Na linha das opiniões dos seus pares, Calane da Silva, homenageado nesta edição da Feira do Livro de Maputo, defendeu a ideia de que os prémios literários, como outros, são de incentivo para que as pessoas se empenhem mais na sua profissão, na sua arte, na sua dimensão humana. Porém, para o escritor, quem deve ser o júri das obras é o leitor. “Nós escrevemos para os leitores e nunca para concursos. Então, se escrevemos para o leitor, é ele quem dá qualidade à obra. É ele quem ganha com um livro bem escrito”, terminou o autor de “Xicandarinha na Lenha do Mundo”.

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