web lanca.arvore.magica 25OUT19
Foi lançado no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, o livro infantojuvenil “A árvore mágica”, da autoria da escritora portuguesa Lurdes Breda e com ilustrações do artista plástico moçambicano Roberto Chichorro. A obra, editada pela EPM-CELP e lançada pela primeira vez em Portugal em julho deste ano, foi apresentada na passada quinta-feira pelo escritor Pedro Pereira Lopes e pelo ilustrador Luís Cardoso que, na ausência dos autores, reivindicaram um espaço de excelência artística que os criadores conquistaram no panorama cultural de expressão em língua portuguesa.

“A árvore mágica” é uma obra luso-moçambicana que, no ambiente imaginário, estreita laços históricos e fantasistas de um Portugal e Moçambique unidos. É, igualmente, fruto de experiências e descobertas da cultura e tradições moçambicanas e, por isso, o livro cruza várias línguas e linguagens, unindo Moçambique a um universo mais vasto e imaginário que se transfigura e alimenta ao longo das suas 24 páginas.

Pedro Pereira Lopes, que destacou a moçambicanidade expressa no livro, referiu que “ao escrever 'A árvore mágica´ a autora experimenta um universo que não é o seu. Sai da sua ilha em busca de um conhecimento desconhecido. Faz uma viagem pelo continente, Berço da Humanidade, e atraca em Moçambique, imitando Vasco da Gama”, afirmou, sublinhando que Lurdes Breda entrou na aventura “como uma menina com asas de borboletas atraída pelas pétalas coloridas das acácias”, que caraterizam Maputo.

Para Pedro Pereira Lopes há neste livro uma poesia que se impõe para testemunhar o potencial imaginativo, criativo e sensitivo. “Aliás, o embondeiro é, à sua maneira, um Fernando Pessoa sempre em desassossego. Imagina poemas até de chuvas, poemas fadas”, explicou o autor do livro “Viagem ao mundo num grão de pólen”, igualmente editado pela EPM-CELP.

Ao ilustrador Luís Cardoso coube desvendar nuances nas imagens de Roberto Chichorro, entrelaçadas na capa e nas páginas do livro. Conhecedor da história da escultura e da pintura em Moçambique, o desenhador criativo falou da sua relação com o autor, numa época em que todos seguiam os passos e estilo do mestre Malangatana. “Foi numa altura em que todos faziam ´malangatanices´. Primeiro em termos temáticos, tendo em conta o período revolucionário que vivíamos, mas o Chichorro foi em contramão. Trouxe-nos uma temática diferente pois sempre abordava assuntos triviais do cotidiano: os sonhos, o casamento, a festa, a guitarrada”, contou Luís Cardoso. Para se impor no mundo das artes pós-independência, Roberto Chichorro assumiu, segundo Luís Cardoso, a sua miscigenação cultural e a influência das culturas ocidental, europeia e africana, que depois as “mesclou com o seu próprio talento, as suas próprias influências que, hoje, enriquecem as obras”.

O evento foi animado por alunos do quinto ano do ensino básico da EPM-CELP, que encenaram a obra, e pela projeção de um vídeo com os depoimentos da autora e do ilustrador de “A árvore Mágica”. Assistiram à sessão literária dirigentes e professores da nossa Escola, escritores, críticos literários, amigos e apreciadores das artes e letras da comunidade de Maputo.

O livro “A árvore Mágica” é um conto estruturado numa linguagem híbrida entre o português e uma das línguas bantu de Moçambique − o changana − e tem como público-alvo crianças e jovens. É a história de um embondeiro que trocou o sono pela imaginação. Durante muitas luas ficava de pétalas abertas a ver os meninos brincarem atrás das borboletas, por entre os ramos de palavras em flor. Até que, por magia, eles desapareceram, entrando no seu coração. A imaginação da árvore também trazia chuva à terra e deixava pasmados bichos e pessoas que contavam os seus feitos de boca em boca, de aldeia em aldeia.

Notas sobre os autores

Lurdes Breda
Nasceu em 1970 no concelho de Montemor-o-Velho, Portugal. É autora de 24 obras e coautora de outras 11, editadas em Portugal, no Brasil e em Moçambique. É conhecida, sobretudo, como escritora de livros para crianças e jovens. O seu livro “O Alfabeto Trapalhão” é um dos livros aconselhados pela “Casa da Leitura” da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo sido um dos selecionados pela Direção Geral do Livro e das Bibliotecas para estar no Pavilhão de Portugal, país convidado em 2012 para a Feira do Livro Infantil de Bolonha, em Itália. É, ainda, um dos livros recomendados pelo Plano Nacional de Leitura de Portugal para leitura orientado do primeiro ano do ensino básico.

Roberto Chichorro
Nasceu em 1941, em Lourenço Marques (atual Maputo). Ainda na infância descobre o gosto pelo desenho. Em 1961 conhece o escritor António Carneiro Gonçalves, que o incentiva a participar numa exposição coletiva, em 1966. Pela primeira vez expõe individualmente em 1967, em Lourenço Marques. Em 1971 desloca-se a Lisboa e em 1980 passa a dedicar-se profissionalmente à pintura. De 1982 a 1985 trabalha em cerâmica e zincogravura no “Taller Azul”, com Oscar Manezzi, em Madrid. É nesta cidade que conhece o casal de escultores Abraham Dubcovsky e Alejandra Majewsky, que contribuem para a sua adaptação a Espanha.

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