web livro.donzela2 dez18
No seu primeiro trabalho literário em conjunto, intitulado “O João, a donzela e o monstro das doze cabeças”, lançado ontem no átrio cdentral da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP), o escritor moçambicano Benjamim Pedro João e a artista plástica Carmen Muianga resgataram contos, histórias e mitos da tradição oral da cultura moçambicana através das narrativas escrita e ilustrada, oferecendo-as ao público. A obra, com 34 páginas divididas em quatro capítulos, é o 11.º título da coleção “Contos e Histórias de Moçambique”, do catálogo de publicações da nossa Escola.

Apresentado pelo escritor, ator e professor de teatro Rogério Manjate, o livro infantojuvenil reúne três contos tradicionais corporizados num só, que ganha a sua própria trama. Como explicou Manjate, “quando comecei a ler as histórias senti que conhecia outras versões desses contos e em separado. Sentia, quase, a presença de três deles que ligam um todo: a história do rapaz que caça os bichos que dizimam as machambas, a do invejoso que provoca a separação dos irmãos e, por fim, da donzela e o monstro das doze cabeças”, afirmou o apresentador da nova publicação da EPM-CELP. Contextualizando, Manjate referiu que a história “engloba, por si, a oralidade – porque é essa a sua fonte – e contextos inventivos a nível da linguagem e da estética”.

Rogério Manjate saudou, no decorrer da cerimónia de apresentação do livro, a EPM-CELP pela iniciativa editorial, aludindo que “num país como o nosso, toda a contribuição positiva como esta será sempre importante, pois, somos poucos, seremos sempre poucos para uma atividade tão grandiosa como a literatura, especialmente a dedicada aos mais jovens”. Noutra passagem da sua esclarecedora apresentação literária, na qual desconstruiu a relação entre a oralidade e a escrita recriadora, Manjate afirmou que a coleção “Contos e Histórias de Moçambique” oferece ao ambiente artístico-literário outras formas de valorizar a oralidade em Moçambique. A coleção conta com autores como Mia Couto, Ungulani Ba Ka Khosa e Marcelo Panguana, entre outros, e propõe a recriação de histórias tradicionais moçambicanas por escritores locais.

O autor Benjamim Pedro João explicou que a obra “O João, a donzela e o monstro das doze cabeças” encerra episódios que transmitem as experiências de partilha de momentos familiares, desabafos, desentendimentos, amor incondicional, conflitos sociais e intrigas secretas, confessando pensar que “se nós não recontamos as histórias que ouvimos contar na infância, quando éramos imberbes, elas morrerão connosco”.

Na partilha de dificuldades que envolveram a efetivação da obra, Carmen Maria Muianga, coautora como ilustradora, revelou que o grande desafio consistiu na interpretação da narrativa pois após ter garantido ao autor que conseguiria finalizar o trabalho de ilustração em dois meses, a artista só o conseguiu em seis meses, devido à complexidade e intertextualidade do conto.

“O nosso objetivo é incentivar a leitura e a escrita”
web livro.donzela3 dez18Na cerimónia do lançamento do livro, a diretora da EPM-CELP, Dina Trigo de Mira, manifestou a sua satisfação com os resultados alcançados na área das publicações e incentivo à leitura e à escrita, vincando o compromisso de continuar a apoiar a literatura em Moçambique.

Em declarações prestadas ao nosso portal, Dina Trigo de Mira afirmou que “o importante é que as obras cheguem às crianças e jovens que não têm possibilidade de comprar livros com a qualidade do que acabámos agora de lançar. O nosso objetivo nesta coleção é o incentivo à leitura e à escrita”, prosseguiu a diretora da EPM-CELP, acrescentando que “um dos propósitos da instituição, no âmbito do acordo de cooperação, é a divulgação da língua portuguesa, que está em bom ritmo”. Para Dina Trigo de Mira, o reconhecimento e a escolha da editora EPM-CELP para a publicação dos seus livros, por parte de autores moçambicanos e professores, e a respetiva venda por diferentes editoras, “anima-nos e dá-nos fôlego para continuarmos esta missão”, concluiu a dirigente máxima da nossa Escola.

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