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Foi lançado ontem à noite, no átrio central da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) o livro “Fernando Vaz, suturar o País que Nasce” com entrevistas feitas pelo escritor e jornalista António Cabrita ao cirurgião moçambicano Fernando Vaz. A obra, com cerca de100 páginas e chancelada pela EPM-CELP, é uma coletânea de memórias que marcam os 90 anos de vida de Fernando Vaz, desde a sua origem, a decisão de seguir a medicina e os cargos políticos desempenhados, entre outras dimensões.

Falando na cerimónia de lançamento para amigos, familiares e demais convidados, o coautor realçou que o trabalho surge na sequência dos insistidos pedidos dos seus filhos, netos e bisnetos, relativamente ao registo da sua memória, “antes que os neurónios ficassem com sinapses cheias de teias de aranha”, declarou Fernando Vaz. Depois, elogiou a técnica usada por António Cabrita, afirmando tratar-se de “um texto simples que serve para contar épocas cheias de emoção”. Nas revelações em torno da sua relação com a medicina, Vaz afirmou que desde sempre gostou da área, embora sem nenhuma justificação, que o passar do tempo desvendou: o respeito pelos valores humanos. Dito de outra forma, o humanismo. Não deixou de admitir, porém, a influência, desde tenra idade, do médico Couto que cuidava da sua família.

O professor e filósofo José Castiano, que testemunhou na cerimónia as memórias em livro do cirurgião, destacou vários momentos e emoções partilhadas com Fernando Vaz. “Para o doutor Vaz um órgão do ser humano só atrofia quando não é usado. E esse órgão de que tanto fala é a memória”, recordou José Castiano. Ideia na mesma linha foi partilhada por Daniela Vaz, neta de Fernando Vaz, que, no fim da sua mensagem, parafraseou as palavras de Martin Luther King: “o que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.

O reconhecimento da vida e obra de Fernando Vaz estendeu-se da mesa de honra à plateia, num gesto de cumplicidade. Na qualidade diretora da EPM-CELP, Dina Trigo de Mira ressalvou que os desafios para salvaguardar as memórias intelectuais passam pela abertura e o comprometimento em defendê-las. “Esta coleção de livros é para salvaguardar memórias, principalmente de pessoas que tiveram uma intervenção cívica neste país através do seu percurso de vida, por isso decidimos reescrever para não as perder”, concluiu.

“Fernando Vaz, suturar o país que nasce” é mais do que um acervo de episódios de vida, mas uma terapia para a posterioridade. Nas suas páginas encontram-se palavras de guerra e de paz, bem como a resposta sobre o que representa formar um médico em Moçambique. “Ser médico é em primeiro lugar saber cuidar da vida e evitar o sofrimento humano”, tal como surge na mais recente obra literária publicada pela EPM-CELP.
 
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Comentários   

+2 #1 Luís Loforte 25-05-2018 22:41
Leitura obrigatória: devemo-nos proibir assobiar para o lado quando passam por nós 90 anos de um protagonista da História de Moçambique. Fui colega da saudosa Alexandra Vaz, sua filha, na Faculdade de Engenharia da UEM, uma jovem que nos educava pela discrição.
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