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Encerrou no passado sábado (29 de setembro), na Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP), a ação de formação em criação de histórias, destinada aos professores do ensino pré-escolar e do primeiro ciclo do ensino básico da nossa Escola e aos docentes do ensino primário das escolas moçambicanas, iniciativa inserida no programa do Mês da Literacia, promovido pelo projeto “Mabuko Ya Hina”. No último dia, reservado à ilustração, a escritora infantojuvenil Cristiana Pereira aconselhou os formandos a criarem um ambiente de paz e liberdade no seio dos seus alunos para que, de forma natural, a criatividade se manifeste.

As oficinas de "storytelling" decorreram no recinto da EPM-CELP durante as manhãs dos dois últimos sábados, com sessões de quatro horas de duração, e foram ministradas pelos autores da obra “Formiga Jujú”, Cristiana Pereira e Walter Zand. A iniciativa teve como objetivo transmitir ferramentas práticas aos professores capazes de facilitar e promover o processo criativo junto das suas crianças. Ou seja, de acordo com Cristiana Pereira, “queremos que as crianças sejam autoras dos seus próprios contos, desenhados, escritos, dramatizados...”.

A primeira oficina de formação versou técnicas de montagem da estrutura de um conto, na qual se abordaram os elementos de uma história, a sua organização e as ferramentas enriquecedoras, para além do modelo básico de Introdução - Desenvolvimento - Conclusão (IDC). Na segunda desenvolveu-se a técnica de ilustração: após a criação das histórias, os professores foram desafiados a engrandecer a narrativa através do desenho. Para tanto, antes dos exercícios práticos Walter Zand transmitiu técnicas de ilustração que colocaram os participantes em conflito com os seus próprios medos, percebendo, simultaneamente, que é mais fácil criar num ambiente de liberdade. “Quando proporcionarmos à criança um ambiente de liberdade, ela explora o imaginário sem medo de errar”, esclareceu Cristiana Pereira.

Não é só a liberdade que facilita a criatividade nas crianças pois questões culturais podem interferir nos processos de aprendizagem criativa dos alunos. Para os formandos perceberem os vários tabus, introduziu-se nas oficinas conteúdos sobre pedagogia, o que não estava inicialmente previsto. No entanto, a constatação de vários constrangimentos levou os formadores a intervirem na área para desbloquearem alguns condicionamentos. “Quando vou trabalhar com uma criança tenho de conhecer em que contexto ela vive, a sua cultura, o que aprende em casa, o que a impede e o que vai facilitar esse processo criativo. O que pode ser feito com uma criança que vive numa cultura em que só os mais velhos podem contar histórias?”, questionou Cristiana Pereira, justificando a relevância do assunto.

“É preciso que os professores dominem a interdisciplinaridade”
web storytelling2 set18Nas várias intervenções feitas no último dia da oficina de “storytelling”, os formandos revelaram o seu desagrado perante situações de humilhações que, na sua visão, retardam e condicionam negativamente a criatividade infantil. Segundo alguns contaram, existem educadores sem paciência que chegam a rasgar o trabalho de um aluno, bem na cara dele, pura e simplesmente porque acham que não está de acordo com o que explicaram ou desejam. “E isso é feio, humilhante e pouco pedagógico. Há que respeitar o esforço de crianças. Não se pode rasgar um trabalho só porque o aluno defraudou as nossas expectativas”, defendeu Saugina Machado, professora de artes na Casa de Gaiato.

Walter Zand afirmou que é necessário os professores dominarem conhecimentos e práticas de interdisciplinaridade, para que não seja difícil ensinar matemática através de noções de música ou de ciências naturais, aplicando o desenho ou vice-versa. Sustentando o pensamento de Walter Zand, Cristiana Pereira assegurou que a interdisciplinaridade é a base de uma história bem-feita e com todos os elementos necessários. A criação da narrativa, acrescentou, abre uma janela para explorar a diversidade do conhecimento: a matemática, a geografia, a história, a lógica e a medicina, entre outros campos do saber.

Fazendo uma avaliação do trabalho, a formanda Cristina Sacramento, professora da turma E do quarto ano da EPM-CELP, congratulou a iniciativa da nossa Escola, em parceria com o projeto “Mabuko Ya Hina”, destacando o contributo das ações de formação no seu saber como professora do primeiro ciclo do ensino básico: “Aprendi novas técnicas a partir do material físico, como jogos de histórias, que têm várias pecinhas, onde cada uma delas representa os elementos da narrativa, como o tempo, as personagens, o espaço e as emoções da historia”, afirmou. Por sua vez, Flávia Miranda, da Escola Comunitária Amizade Sem Fronteiras, sancionou positivamente a formação, afirmando que, na teoria, aprendeu um novo método de contar uma história, que é o DDD – Dilema, Decisão e Desfecho -, concluindo: “a diferença entre o IDC e o DDD é que este último apresenta um desenvolvimento muito largo e aberto”.

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