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A Feira da Saúde da EPM-CELP, realizada anteontem no recinto da nossa Escola, respondeu positivamente às necessidades do setor da saúde no país com a adesão significativa de alunos na mesa de doações de sangue. Das 57 bolsas de sangue coletadas, 30 advieram da colheita em alunos do ensino secundário, número recorde que excede um quinto da necessidade diária de sangue do Hospital Central de Maputo (HCM), que é de 200 bolsas para responder às exigências dos vários serviços de urgências da maior unidade hospitalar do país.

Os resultados obtidos na Feira da Saúde da EPM-CELP satisfizeram os organizadores do certame e os técnicos de saúde estatais presentes perante o cenário público do HCM se vir obrigado a suspender cirurgias não urgentes por falta do precioso líquido orgânico. Cristina Manjate, técnica de saúde e responsável pela mesa de doações de sangue, reconheceu o nível de sensibilidade dos jovens doadores, avaliando positivamente o trabalho. “Neste momento estamos satisfeitos com o sangue que conseguimos coletar pois das 11h00 às 14h30 conseguimos recolher um número considerável de bolsas”, explicou. Para esta técnica, os grandes desastres naturais ocorridos mo país em 2019 acentuaram a escassez do sangue disponível. “O sangue deve estar à espera do doente nos bancos de sangue e não o contrário”, sensibilizou Cristina Manjate, lembrando que “as vítimas de acidentes de viação, mulheres grávidas, doentes submetidos a cirurgias e, sobretudo, os pacientes oncológicos precisam diariamente de sangue nos serviços de urgências de pediatria, medicina e ginecologia. São serviços que não têm programa, pois os doentes entram a cada hora”, esclareceu a técnica de saúde.

Face à resposta animadora da EPM-CELP, os serviços do banco de sangue do HCM agendaram uma nova campanha de doação de sangue na EPM-CELP para a próxima quinta-feira (12 de março). Refira-se que, para além dos alunos, 15 professores, uma encarregada de educação e uma funcionária da nossa Escola contribuíram com o seu sangue para salvar mais vidas.

Sete serviços disponíveis e duas palestras
Se, por um lado, os jovens da nossa Escola sentiram-se sensibilizados com o apelo de salvar vidas que dependem das reservas de sangue nos estabelecimentos de saúde, por outro, os mais novinhos e adultos apostaram no controlo da saúde, aderindo aos rastreios de diabetes, da hipertensão arterial, do HIV e de oftalmologia, bem como dos serviços de aconselhamento nutricional e de planeamento familiar.

De acordo com Ana Castanheira, responsável pela Ação Social Escolar da EPM-CELP e uma das organizadoras da Feira da Saúde, dados preliminares apontam para 35 pessoas no do HIV, 60 no de diabetes e algumas dezenas nos restantes serviços. Salientou ainda que, em abril próximo, a nossa Escola irá organizar, mais uma vez, um rastreio de dentição para alunos do primeiro ano do ensino básico, que ontem não tiveram oportunidade de atendimento.
Entre vários objetivos, a Feira da Saúde pretendeu chamar a atenção para o hábito de controlar regularmente o estado de saúde, como forma de melhor prevenir e combater enfermidades. Em palestras realizadas separadamente no Auditório Carlos Paredes, José Soares, médico responsável pelo Gabinete Médico da nossa Escola, e Blanca Catalan, enfermeira da Associação da Luta Conta o Cancro, entidade coorganizadora do evento ao lado da EPM-CELP, enfatizaram a necessidade da prevenção se sobrepor ao tratamento.

web feirasaude2 06mar20Palestrando, de manhã, sobre “Coronavírus – o que precisa de saber”, para alunos dos quinto e sexto anos do segundo ciclo do ensino básico, José Soares falou do surgimento do vírus corona, registado pela primeira vez em 2002, no sul da China (SARS-CoV), e, pela segunda, em 2012, no Médio Oriente (MERS-CoV), passando pela explicação sobre a sua composição e habitat, até terminar nas formas de transmissão. O médico sublinhou que o espirro tem sido o maior disseminador do vírus, revelando que “quando a pessoa espirra expulsa água, dióxido de carbono e eventual vírus a uma velocidade de 460 quilómetros por hora, podendo, assim, contaminar pessoas que estejam a uma distância de dois a três metros”, explicou.

Na mesma sessão, Dina Trigo de Mira, presidente da Comissão Administrativa Provisória da nossa Escola, afirmou estar esperançada que os alunos tenham mais cuidado e acatem as recomendações do médico, pois “a mensagem serve, de alguma forma, para todas as gripes. Se alguém acordar e sentir que não está bem, que tem gripe, é melhor ficar em casa. É também preciso que lavem as mãos e pratiquem uma boa higiene na escola e em casa para que todos tenhamos a segurança e a saúde que almejamos”, concluiu a dirigente.

web feirasaude3 06mar20À tarde, na palestra subordinada ao tema “Cancro do colo do útero”, destinada aos alunos dos nono, 10.º e 11.º anos de escolaridade, Blanca Catalan falou dos elevados índices estatísticos de prevalência dos casos de cancro em Moçambique, vitimando maioritariamente as mulheres. Com recurso a uma apresentação multimédia, a enfermeira revelou que em cada 100 casos de cancro registados, 32 são do colo do útero. E das 3.690 mulheres vítimas dessa doença, 2.356 perdem a vida, número que, na estimativa, irá chegar às 3.509 vítimas até 2025.

Durante a sua oratória, Blanca Catalan exortou os alunos a absterem-se de relações sexuais precoces, a fazerem o rastreio do cancro regularmente e a protegerem as práticas sexuais. Ana Besteiro, coordenadora pedagógica do ensino secundário, por sua vez, lembrou que “as doenças não afetam só os outros. Nós também podemos sofrer os mesmos problemas. Portanto, é preciso que tenhamos a consciência disso e mais responsabilidade”.

A Feira da Saúde da EPM-CELP teve o apoio da Direção de Saúde da Cidade de Maputo, do Hospital Central de Maputo e da Associação da Luta Contra o Cancro.

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