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Alunos do quarto ano do ensino básico e respetivos pais e encarregados de educação da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) celebraram, na passada sexta-feira (22 de junho), o fim de uma etapa escolar, de ensino de monodocência, e festejaram as conquistas de um período de quatro anos. No espetáculo, os petizes içaram as bandeiras de Moçambique e de Portugal e desfilaram no arraial folclórico luso-moçambicano, arrebatando o entusiasmo de todos.

web arraial2 jun18As portas abriram por volta das 15 horas, quando começaram a chegar os pequenos finalistas do primeiro ciclo acompanhados pelos respetivos pais e encarregados de educação, para uma festa que só terminou às 9 horas do dia seguinte. Cerca das 16 horas teve início a festa com manifestações culturais de Moçambique e de Portugal, como as marchas populares, cânticos e músi-cas típicas, gastronomia e alusões à epopeia dos descobrimentos portugueses. A autenticidade da coreografia, da cenografia, dos figurinos, das letras e musicalidade, bem como da composição e do próprio desfile marcaram o momento, com destaque natural para o fado e a marrabenta.

Outro momento particularmente marcante, também protagonizado pelos alunos, foi o dedicado à Filosofia para Crianças, através da montagem de um expositor no qual os petizes afixaram os seus projetos de vida no final de um ciclo estudantil. A verdade e a humildade foram no mesmo sentido, o da definição da personalidade de cada um, com seus pontos fortes e fracos. Uma iniciativa que misturou experiências artísticas e de humanidade, com múltiplas e variadas formas de manifestações, como, por exemplo, a poesia, fotografias e prosa literária. A ideia foi criar espaços de reflexão sobre sonhos e projetos de vida, num exercício de liberdade e cidadania.

Emoções nos jogos tradicionais e calor no palco
Depois das manifestações culturais e de uma pausa para degustar variedades de produtos expostos no recinto da EPM-CELP, os anfitriões voltaram à carga, desta vez para provar habilidades nos jogos tradicionais de Moçambique e de Portugal, participados por alunos e familiares. O sucesso do evento foi a inclusão de todos os presentes nas brincadeiras, ou seja, em cada atividade os petizes estiveram sempre acompanhados pelos pais e encarregados de educação num exercício de descontração e afetividade.

web arraial4 jun18Noutro ponto da festa, no palco do pavilhão gimnodesportivo, os alunos finalistas, quais anfitriões da noite, davam início ao concerto musical que absorveu o público, especialmente o tema “Happy”, cantado pelos estudantes das turmas C, D, E e F, efusivamente aplaudido pela plateia. A festa acabara de ganhar nova vivacidade. A avaliar pela reação da plateia, alunos e professores revelaram-se grandes criadores e produtores de espetáculos, com apresentação de números tocados pela magia. Intercalando os temas musicais, foram exibidos 14 vídeo-montagens com rostos dos professores do quarto ano em diversos cenários e realidades para surpresa geral, criando um dos momento altos do dia.

A sós ou acompanhados pela banda composta pelos professores Assumane Saíde (piano) e Isac Maússe (baixo) e pelo bibliotecário Paulo Mulhanga (guitarra), os alunos exteriorizaram os seus sentimentos e exibiram os conhecimentos musicais adquiridos ao longo dos quatro anos. Em destaque, cantou-se “Há dias assim”, “Hino da alegria”, “Não me mintas”, “O meu coração não tem cor” e “Quando eu for maior”, este último tema escolhido para cântico dos finalistas.

Nas representações dramáticas, o “Passeio da família Sitoe”, dos alunos da turma F sob coordenação da professora Zahirra Amade, criou suspense e diversão na plateia. No decorrer da peça, o público foi convidado a encontrar soluções para os problemas da família Sitoe, entre os quais a falta de tempo do chefe da casa para estar com a família e festejar as datas comemorativas.

Outro sucesso, foi o “Encontro intergaláctico” entre Moçambique e Por-tugal, feito de manifestações culturais dos dois povos, com destaque para as danças. E esta foi a surpresa que pais e encarregados de educação ofereceram aos filhos, encerrando com uma coreografia arrebatadora do entusiasmo da plateia, então composta por alunos e convidados.

Para o público a festa encerrou por volta da meia noite, mas para os finalistas e professores continuou noite dentro até cerca das 9 horas do dia seguinte, quando os pais voltaram à escola para preparar o “matabicho” pa-ra todos.

web arraial6 jun18Refira-se que, para a concretização do evento, um grupo de encarregados de educação dos alunos do quarto ano organizou, no passado dia 17 de Junho, uma jornada de limpeza na praia da Costa do Sol, onde recolheram resíduos sólidos – plástico, vidro, lata e papel – que, posteriormente, venderam. Nesta expedição, que incluiu três semanas de coleta de lixo doméstico pelos alunos nas respetivas casas, compactou-se 81 quilogramas de resíduos sólidos que foi vendido para suportar parte das despesas da festa.

“Esta é uma Escola de afetos”
Após os vários espetáculos da festa de encerramento dos finalistas do primeiro ciclo do ensino básico, que duraram cerca de oito horas, a diretora da EPM-CELP, Dina Trigo de Mira, satisfeita com a organização, afirmou que “esta Escola é uma casa de afetos e, isso, viu-se com as diversas intervenções dos encarregados de educação, dos pais e dos alunos. Esta casa é grande, mas eu considero uma família, entre professores, alunos, funcionários...”.
O arraial luso-moçambicano foi o culminar de um ciclo de quatro anos, durante o qual a maior parte dos alunos, agora finalistas, tiveram uma aprendizagem centrada num único professor. Por isso, a festa marca uma etapa de transição, dentro e fora da escola, rumo ao próximo ciclo de estudos.
 
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