web mostraciencia2017Sete alunos do 12.º ano da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) partiram hoje para Portugal onde vão participar na 11.ª Mostra Nacional de Ciência, que vai decorrer entre 1 e 3 de junho no Centro de Congressos da Alfândega do Porto. Orientados pela professora de Físico-Química, Margarida Duarte, os alunos vão apresentar os projetos de investigação desenvolvidos na disciplina de Química, oportunamente submetidos ao 25.º Concurso Jovens Cientistas e selecionados para a etapa final.

Os projetos que atravessam fronteiras são “Bioplástico de amido e mandioca”, desenvolvido pelos alunos Francisco Fernandes, Beatriz Amado e Rushali Sacarlal, e “Quantificação espetrofotométrica do flavoroide quercetina na casca de cebola roxa”, levado a cabo pelos alunos Raquel Gouveia, Xénia Grachane, Jenisha e Jessica Caupers.

Francisco Fernandes explicou o porquê de a escolha ter recaído no bioplástico de amido de mandioca: “escolhemos a mandioca porque é um tubérculo muito usado em Moçambique, que alimenta o povo moçambicano e o nosso objetivo seria extrair o amido desse alimento”. O objetivo é, por conseguinte, criar um bioplástico degradável a partir do amido de mandioca com o propósito de minimizar o problema do lixo em Moçambique. Apesar de o plástico ser comestível, o grupo de Francisco Fernandes ainda não aposta nessa vertente, já que não se pretende que sirva para alimentar a população moçambicana.

Em termos práticos, “reduzir a quantidade de plástico existente na cidade e o lixo provocado pelos plásticos nos oceanos” são os principais objetivos, de acordo, por sua vez, com Beatriz Amado. “Sempre trabalhámos para chegar ao final do concurso”, destacaram os elementos do grupo autor do projeto de bioplástico, afirmando sentirem-se orgulhosos de “representarem o povo moçambicano e a nossa escola em Portugal”. Por agora, o grupo está focado na fase de produção de sacos de plástico biodegradáveis, ideia que poderá vir a ser o início de “uma nova era de sacos de plástico biodegradáveis”, avançou Beatriz Amado.

Raquel Gouveia, aluna associada ao projeto “Quantificação espetrofotométrica do flavonóide de quercitrina na casca de cebola roxa”, explica que o objetivo é “dosear o flavonoide de quercetina que está presente na cebola roxa e provar que pode substituir o consumo de cebola branca por cebola roxa”. Entre os benefícios da utilização do flavonóide de quercetina na casca de cebola roxa estão a diminuição do stress oxidativo e do risco de doenças cardiovasculares, o controlo da asma e a diminuição do risco de cancro, entre outros. “Como o povo moçambicano vive muito à base da atividade agrícola, normalmente usam a cebola, mas deitam fora a casca, da qual não tiram proveito e acaba por fazer lixo”, esclareceram, por seu turno, os restantes membros do grupo.

Em termos práticos, as alunas do projeto ligado à cebola roxa são de opinião de que não será difícil executar a ideia, precisando apenas de encontrar uma plateia que ouça a proposta: “Quando nos ouvirem quão simples é fazer chá com a casca de cebola roxa, vai ser simples colocar em prática o projeto”, afirmou Raquel Gouveia. Por fim, de modo geral os alunos frisaram a ideia de que participar no projeto não foi o objetivo principal, mas sim o entusiasmo de executar e concluir uma ideia que foi para além dos limites físicos da sala de aula.

Na 11.ª Mostra Nacional de Ciência estarão em competição os 100 melhores projetos selecionados entre 116 concorrentes ao 25.º Concurso Jovens Cientistas. É organizada pela Fundação da Juventude em articulação organizacional com a Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica e o Município do Porto.


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