A “bailarina” tocou em vários aspectos disfuncionais da sociedade actual, como a droga, o alcoolismo, a bulimia e o fundamentalismo religioso, entre outros. Numa abordagem que utilizou linguagem comum e acessível, para uma mensagem fácil de entender e influenciar.

Os actores e a própria gramática da peça revelaram-se de forma simples, própria de principiantes, mas a identificação com o texto, o entusiasmo e a emoção foram exuberantes e contagiantes. E assim surgiu o diálogo íntimo com o público, quase permanente. A genuinidade falou mais alto. Teresa Cardoso conseguiu unir tudo e todos.

Um excelente desempenho criativo de uma turma do 12.º ano, que aderiu a uma ideia de representação da autoria de uma colega, preocupada com os grandes problemas sociais da actualidade, sobretudo os ligados à juventude, e ao sofrimento colectivo gerado pelos desastres naturais.

A bailarina antes de torcer o pé

A encenação de “A bailarina que torceu o pé” iniciou-se em Janeiro de 2010 e prolongou-se até à actualidade, mobilizando a maior parte dos alunos do 12.º C, cujo grupo foi ainda integrado por dois colegas pertencentes a turmas distintas. A aluna Teresa Cardoso, para além de criadora e argumentista, foi também encenadora e produtora, ou seja, a grande “alma” do projecto.

Grande parte do valor educativo de “A bailarina que torceu o pé” reside, além da atitude de livre iniciativa, no processo de criação e encenação, bem como nas interacções que o seu desenvolvimento proporcionou, não só ao nível das relações interpessoais como também com os outros textos que cruzam o argumento. A idealização, a recolha de informação e a sua conformação e contextualização culturais são marcadas pela pertinência e presença dos temas na vida quotidiana de cada um de nós, identificando males sociais de contacto inevitável para o cidadão comum e ousando apontar saídas e soluções perante a ameaça da auto-destruição, sem recorrer a moralismos ou paternalismos despropositados.

A interpretação e representação dos actores transmitiram emocionalidade suficiente para manter participativos os espectadores, tendo-se gerado, inclusive, alguma interacção global explícita e efectiva. Sente-se que ainda mal começou a aprendizagem, mas esta já tem os ingredientes inevitáveis: humildade, vontade, querer, emocionalidade, disponibilidade, curiosidade e ousadia, entre outras coisas que o aprender exige. Incluindo o reconhecimento público, que o Auditório Carlos Paredes esta tarde ofereceu, sem esquecer o porto de abrigo que foram Graça Pinto e Nuno Domingues, professores do Departamento de Ciências Sociais e Humanas que acompanharam e acarinharam o projecto.

No acto criativo e livre parece concretizar-se a arte, parceira privilegiada da educação.

Ficha Técnica
Autora e encenadora: Teresa Cardoso
Intérpretes: Guilherme Carvalho (narrador), Cristiano Serra (Pedro), Ana Rita Pinto (Lila), Tatiana Mendes (Samira), Teresa Cardoso (Isis), Flávia Gomes (Noa), Madina Bachir (Teresinha), Yumna Yussuf (Lúcia), Vinesh Guigá (Khan), Faiza Semá (Pria), Ismael Puná (Caio), Nádia Silva (Luna), Margerys Jiménez (Chantell & Noa em mau estado), Mara Lopes (Vanessa & Noa em bom estado), Clarina Miranda (Luana), Maida Amin (Naomi), Nurima Ribeiro (Miuky), Walter Simbine (Ricky) e Denise Sequeira (Daniela Maria). Mara Lopes e Nádia Silva (intérpretes da música "Superwoman" de Alicia Keys; Vanessa Martins e Tatiana Mendes (intérpretes da música "Beautiful" de Crsitina Aguilera; Cristiano Serra, Maia Domingues e Tatiana Mendes (intérpretes da música "Don't stop believing" da série televisiva "Glee")
Professores responsáveis: Graça Pinto e Nuno Domingues (Departamento de Ciências Sociais e Humanas)

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