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Uma trama dos anos 40, três personagens ligados por uma relação amorosa triangular e uma realidade violenta da ditadura “salazarista”, como também ficou conhecido o Estado Novo, levaram, na manhã da passada sexta-feira, no Auditório Carlos Paredes da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP), alunos do quarto ano do ensino básico a confrontarem o Estado Novo com o atual regime democrático vigente em Portugal. O objeto de análise foi o filme “Aniki Bóbó”, do realizador português Manoel de Oliveira, exibido no âmbito das atividades do Plano Nacional de Cinema (PNC) da nossa Escola e do Dia de São Valentim, assinalado no passado dia 14.

web aniki.boboDe acordo com a coordenadora do PNC na EPM-CELP, Sandra Cosme, a atividade foi ao encontro da disciplina Estudos do Meio, concretamente da História Contemporânea, do Fascismo e do Estado Novo. “Os alunos tiverem a oportunidade de perceber grandes diferenças em relação à atualidade. Por exemplo, que nos tempos do fascismo nem todos os meninos iam à escola e a sociedade vivia sob o medo do regime, que havia grandes desigualdades sociais, que as pessoas não viviam livres e que os direitos e a liberdade não serviam da mesma forma todas as pessoas”, explicou a docente.

Tal como retrata o filme, o sistema de ensino do Estado Novo, sobretudo na década de 40, auge do regime autoritário, atendia às diferenças sociais com recurso à exclusão das camadas desfavorecidas da população. A narrativa de “Aniki Bóbó” está associada ao amor com um enredo desenhado pelos três personagens principais - Carlitos, Eduardo e Terezinha, esta última pretendida pelos primeiros -, que criam um “triangulo amoroso” quase terminado em tragédia.

Produzido a preto e branco em 1942, o filme vive muito mais da imagem do que da palavra, deixando espaço ao espetador para construir os diálogos sugeridos pelas ações, medos, olhares, silêncios e gritos dos personagens, que alinham pela técnica de “um gesto, uma narrativa”. Outros valores, como a resolução de conflitos, o respeito, a amizade, a paz e o altruísmo sobressaem na narrativa fílmica, consciencializando para a necessidade da resolução de problemas para alcançar a paz e a tranquilidade individual e social.

Numa avaliação do envolvimento dos alunos na sessão de cinema, Sandra Cosme confessou que “as crianças estão sempre a surpreender”, explicando que no início da sessão os alunos já conheciam a temática do filme, “que era sobre o tempo de Salazar e o fascismo pois já tinham sido contextualizados sobre a história, tal como aprenderam na disciplina Estudo do Meio”, e por isso “aplaudiram o fim, como se já o conhecessem”, concluiu a coordenadora do PNC da EPM-CELP.

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