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O Auditório Carlos Paredes da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) foi, na noite de ontem, palco da edição 2018 do Sarau das Línguas. Sob o lema “EMP´s Got Talent” e com o tema virado para o turismo sustentável, o espetáculo foi o culminar das aprendizagens das diferentes línguas que se ensinam na EPM-CELP.

O Sarau das Línguas é já uma “doutrina” na Escola, com uma “poliglotice” crescente, estando mais transformado do que nunca. A edição 2018 não é para sorrir nem odiar: é para se respeitar e curvar ao talento demonstrado pelos cerca de 40 alunos no palco.

Coordenado pelos professores do Departamento de Línguas, mas orientado por alunos do quinto ao 12.º ano de escolaridade, o espetáculo deste ano foi diferente dos realizados nas edições passadas. A novidade foi que a produção das músicas, apresentações, poesia, dança e exibições foram da autoria dos próprios estudantes.

O evento iniciou com declarações do professor e encenador do espetáculo, João Paulo Videira, a alertar para a inexperiência artística e representativa dos alunos. Porém, o “show” foi além das dúvidas, do medo de meras representações. Foi sólido, criativo e bem estruturado.

Em gesto de introdução, um grupo de adolescentes e jovens inaugurou o palco aos gritos e palavras impercetíveis. O público, à espera, respondeu com aplausos e alguns assobios descontrolados, dando início a uma celebração eufórica.

Seguiu-se “O Desgosto do Amor”, uma representação que gira em torno de paixões e desilusões. Quatro alunos dos 12.° e 10.° anos dramatizaram diversos problemas relacionados com o amor e as descobertas juvenis, através do bailado. Na coreografia, foi notório o fim repentino da música e, consequentemente, da dança. Porém, “melhor forma de se começar um espetáculo não há”, disse um dos júris na avaliação da performance. Ainda no amor, entrou a talentosíssima Diana Pinho, que interpretou “Meu Amor de Longe”. Aqui pode, sim, parecer exagero a utilização da palavra talentosíssima, mas, ao se prestar atenção à colocação da voz, à presença em palco e à segurança que a aluna tem, nota-se logo que a hipérbole se justifica.

Da música, fomos orientados pelos pequenos atores do “8.°E” a envolvermo-nos nos problemas de “bullying” nas escolas e não só. A representação feita em espanhol foi acompanhada por cenários projetados na tela grande e que condizem com a realidade académica e social. Com naturalidade, os “artistas” adequaram-se às exigências dramáticas de cada situação interpretada.

Em termos de produção musical, o “Creep”, terceira apresentação feita por Eneia Salvador, do “10.°A2”, igualou-se à canção “Meu Amor de Longe”, só que, desta vez, com guitarra e cajon acústico. No rol das representações, “O Caminho Errado”, “Visita ao Bairro da Mafalala”, “La Chançon de La Mère”, “Mulheres Pessoanas”, “L´inventeur Créatif” e “Little Riding Hood” conquistaram o público que, a cada exibição e emoção, atingia o êxtase.

Os meninos da Escola Primária Completa Unidade 23 da Mafalala trouxeram, em tour, a história do bairro que viu nascer e crescer políticos, artistas e futebolistas, com destaque para Eusébio da Silva Ferreira. Outrossim momento histórico foi a apresentação de “Tufo”, uma dança explorada para viabilizar o turismo cultural naquele bairro da cidade de Maputo.

Quem quase deixou os créditos em mãos alheias foi Sofia Gonçalves, do “11.°A1”, que já no meio da música “Don´t You Remember” ficou afónica. Mas não desistiu! Embora tenha antes advertido sobre uma doença que lhe atacou semanas antes do espetáculo, mostrou que a vontade supera todas as barreiras. Por isso, o público consentiu e motivou-a.

E a força não foi dada somente à Sofia. Até ao último minuto do espetáculo, a plateia vibrou, acompanhando sempre que necessário as músicas e as danças com aplausos e gritos apaixonantes. O “Waka-Waka” de Shakira, interpretado por Rita Pinera, do “7.°D”, fechou com chave de ouro o Sarau das Línguas 2018.

O projeto nasceu há nove anos por impulso do Departamento de Línguas no sentido de apresentar, anualmente, uma mostra representativa dos resultados das aprendizagens das diferentes línguas – português, inglês, francês e espanhol -, permitindo a combinação dos saberes linguístico e literário com as diversas linguagens e expressões artísticas.
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