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Alunos do nono ano do ensino básico da EPM-CELP aguçaram a curiosidade e, com os olhos na tela e a memória no livro, partiram à descoberta da linguagem cinematográfica que une o filme “O dia em que explodiu Mabata Bata” à obra literária homónima de Mia Couto. Sol de Carvalho, realizador da película que vai ser lançada muito brevemente, ajudou os alunos a desvendar a história do boi que explodiu no entrecruzamento das linguagens cinéfila e literária. Mabata Bata foi ficcionado por Mia Couto em 1986 e inspirou a obra cinéfila de 2016 de Sol de Carvalho.

O exercício ocorreu a 3 de novembro, no Auditório Carlos Paredes, com sala cheia para visionar, em primeira mão, o novo filme de Sol de Carvalho, o realizador que também esteve na plateia ao lado dos alunos e professores. Para a sessão os alunos levaram a curiosidade de ver como a obra literária de Mia Couto, estudada previamente nas aulas, foi transposta para a tela e, para isso, nada melhor do que ver o filme na companhia do próprio autor da transformação.

Terminada a exibição, que durou quase uma hora, seguiu-se um vivo debate entre alunos e o realizador Sol de Carvalho sobre a gramática da linguagem cinematográfica e os segredos da “sétima arte”. Para início de conversa, o realizador moçambicano manifestou-se bastante agradado com a experiência pioneira e inédita na sua carreira de 36 anos de cineasta de expor presencialmente uma obra sua a uma plateia de jovens estudantes. Contagiado pelo interesse entusiasmo dos estudantes, confessou que também no Chibuto, onde decorreram durante cinco semanas as filmagens do “O dia em que explodiu Mabata Bata”, terminadas há cerca de um ano, foi-lhe particularmente grato interagir com jovens locais a quem ofereceu a oportunidade de serem atores pela primeira vez, sem qualquer experiência anterior, o que não é percetível através do visionamento da película. Os personagens Azarias, José e Lúcia foram interpretados por estudantes do ensino primário em escolas do Chibuto mobilizados pela produção do filme.

A sessão, que abriu a temporada 2017/2018 do plano de atividades da equipa do Plano Nacional de Cinema (PNC) da EPM-CELP, foi organizada e conduzida pelas turmas B e C do nono ano do ensino básico, com coordenação da professora Estela Pinheiro, estratégia que colocou os estudantes como atores e construtores da sua própria aprendizagem, neste caso da cultura cinéfila, lançando o olhar para a tela, mas também para o que se passa no processo prévio de produção da obra cinematográfica. E este é um dos objetivos expressos da intervenção educativa do PNC na nossa Escola, ou seja, promover a literacia cinematográfica, como meio de elevação cultural e de formação de uma cidadania ativa e participativa por via de uma arte que dá a conhecer, de modo próprio, a complexa e diversificada realidade que nos envolve e, não raras vezes, nos escapa.

web explosaoMabataBata“O dia em que explodiu Mabata Bata” é um filme baseado no conto homónimo de Mia Couto de 1986, integrado no livro “Vozes anoitecidas”, que ficciona a história de “Azarias, um jovem pastor órfão que sonha ser uma criança normal e poder ir à escola. Um dia o melhor boi da manada, Mabata Bata, pisa uma mina deixada pelos combatentes da guerra que decorre no país e explode. Temendo as represálias do tio, o menino decide fugir e embrenhar-se na floresta levando consigo os bois restantes”, tal como a página oficial da RTP a anunciou oportunamente. O filme é falado na língua changana e legendado em português.

O guião da obra de Sol de Carvalho foi premiado em 2015 no concurso da CPLP na categoria Obras de Ficção. No Auditório Carlos Paredes foi exibida a versão televisiva (52 minutos), que deverá passar nas nove televisões públicas daquela organização internacional, nos voos internacionais da TAP (transportadora áerea portuguesa) e nos canais por cabo TVCINE, de acordo com informação transmitida na página oficial da própria obra cinematográfica, para além da participação em festivais internacionais. Está ainda prevista a realização de uma longa metragem a partir do mesmo guião com produção da CPLP e da PROMARTE, produtora moçambicana.


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