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Listadas no seu manifesto eleitoral, a nova Associação de Estudantes (AE) da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) iniciou o ano letivo 2019/2020 com atividades focadas no ambiente. Na manhã de ontem, o grupo começou o combate às palhinhas plásticas, promovendo as metálicas em alternativa, e, à tarde, no Auditório Carlos Paredes, organizou um debate sobre a problemática do plástico no ambiente.

web palhinhas.metalicas2 27set19Logo ao princípio da manhã, Débora Queimada, a presidente da AE, e seus associados reuniram-se no Pátio das Laranjeiras com alunos, professores e funcionários para explicar as vantagens do uso de palhinhas metálicas, incitando a sua compra. A iniciativa, de acordo com a presidente da AE, vai ao encontro das suas promessas aquando da campanha eleitoral para assumir os destinos da associação que hoje dirige, acrescentando que o dia “torna-se um grande marco para toda a comunidade educativa, sobretudo por não termos defraudado as expetativas de quem nos confiou a missão de liderá-los”. Ao cabo de quase uma hora de vendas, o grupo conseguiu esgotar as 200 palhinhas metálicas mobilizadas para a fase piloto da ação. Perante este resultado, Débora Queimada garantiu que a AE está a envidar esforços para que todos os membros da EPM-CELP passem a usar palhinhas metálicas.

“Lixo no chão não é solução!”

Ainda no âmbito das manifestações em defesa do meio ambiente, a AE juntou, à tarde, no Auditório Carlos Paredes, alunos do oitavo ano do ensino básico, professores, membros do grupo “Unidos Pelo Ambiente” e diversos ativistas ambientais para se manifestarem sobre a problemática do plástico no mundo. Sofia Amado, vice-presidente da AE, explicou que a atividade foi inspirada pelo ativismo protagonizado pela sueca de 16 anos de idade, Greta Thunberg, visando incentivar a realização de mais ações para mitigar os efeitos das mudanças climáticas provocadas por decisões políticas.

“Reparámos que em imensos países do mundo estão a ocorrer manifestações, mas não ouvimos falar de nenhuma aqui em Moçambique. Por isso, achamos que se há alguém que tem de trazer isto aqui somos nós”, explicou Sofia Amado, justificando que, diferentemente do que acontece em outros quadrantes geográficos, onde alunos faltam às aulas para dinamizarem manifestações, “nós não quisemos ir por aí e, assim, reunimo-nos no auditório para dar o nosso grito de mudança”, concluiu a vice-presidente da AE. Refira-se que, um pouco por todo o mundo, vários milhões de jovens, e não só, saíram ontem às ruas para, em greve contra o clima mundial, protestar contra a falta de medidas das forças políticas para suster as alterações climáticas.

web defesa.ambiente 27SET19A sessão contou igualmente com a participação de três voluntários representantes de uma organização focada nas questões ambientais, a “Repensar”. Falando em nome do grupo, Ana Maria justificou a pertinência da discussão em torno do plástico e do ambiente a partir de estatísticas e imagens que nos chegam diariamente, aludindo a situações de animais marinhos dizimados pelas “garrafas pet”, palhinhas e pratos plásticos, entre outros produtos nocivos ao ambiente. Cruzando realidades, a ativista falou igualmente de outro empecilho para a saúde ambiental: o carro. Para ela, já é tempo de Moçambique investir seriamente no transporte público, de preferência ferroviário, para que o parque automóvel diminua em benefício do mundo melhor que queremos para todos.

Para cantar e consciencializar os presentes através do “rap”, juntou-se ao debate o músico moçambicano Osvaldo Ike. Vencedor do prémio de Melhor Mapeador do Lixo do Mundo, o também ativista ambiental instou a plateia a focar-se, primeiro, no lixo que nos rodeia, ou seja, para Osvaldo Ike “é importante contextualizar este tipo de problemas a partir do lixo que observamos na rua”, declarou, explicando que “antes de atravessarmos fronteiras, cada um tem que assumir a responsabilidade local. E isso é uma questão de cidadania”, esclareceu Osvaldo.

Autor das músicas “Lixo no chão não é solução” e “Micro-Lixo”, o rapper Osvaldo Ike é apologista da ideia de se eliminar o uso do plástico no mundo. E dentre as várias razões prefere a seguinte: “há casos em que vejo pessoas a comprarem bananas na rua ou em qualquer sítio, para as quais fornecem, certamente, um plástico. Mas quando a pessoa começa a comê-las, primeiro deita a casca no chão e depois deita o próprio plástico”, concluiu.
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