web apatiaO mundo atravessa tempos de mudança, convulsão e adaptação a uma nova realidade, emergente da abertura de fronteiras, do esforço de transformação desta nossa grande casa numa pequena Aldeia Global, sempre ajudado pela evolução dos meios de informação e comunicação e pelo desenvolvimento das novas tecnologias, cada vez mais omnipresentes - e omniscientes, como vimos com o recente escândalo das escutas a altos responsáveis internacionais.

Já muito disse, repeti e alertei para a necessidade de adaptação a esta nova cena, totalmente diferente de tudo o que a humanidade já experimentou e que, decerto, nos obrigará a uma grandíloqua alteração de hábitos e comportamentos. Hoje, pretendo tratar com profundidade uma das mais evidentes vertentes desta metamorfose que, se bem que afeta e é influenciada por diversos fatores, não nos poderá fazer descorar aquela que é, muito provavelmente, a face mais evidente e a principal influência que, hoje em dia, ainda paira benignamente sobre a nossa sociedade: a cidadania ativa e a necessidade de participação em associações, partidos e demais estruturas que compõem as agonizantes democracias atuais, que, aliás, agonizam apenas e só devido ao desinteresse dos seus cidadãos e à falência coletiva da esperança dos governados nos seus líderes e governantes, o que implica, necessariamente, uma desesperança e passividade intolerável num mundo que se quer justamente mais dinâmico, participativo e esperançoso num futuro mais sorridente e soalheiro.

E assim, passo a questionar: haverá melhor local para se iniciar uma cidadania ativa, participativa e válida do que a escola, lugar de convívio e troca de experiências, informações e saber por excelência? Certamente que não. Haverá melhor método de se introduzir um jovem à Democracia, que se espera que este defenda e melhore, do que fazê-lo experimentá-la, votando nos seus representantes e demonstrando-lhe a sua importância basilar num sistema que já Sir Winston Churchill definiu um dia como "a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas"? Obviamente que não. Poder-se-à introduzir melhor um adolescente nos ideais democráticos básicos ou na importância da participação individual na construção de um melhor futuro coletivo do que promovendo a sua integração nas instituições que o representam, permitindo-lhe que exponha as suas ideias, planos e sonhos com vista ao bem comum, possibilitando mesmo que o coletivo as aceite e ponha em prática? Claramente que não.

Posto isto, creio ser urgente questionarmo-nos: cinco meses depois, o que é feito da Associação de Estudantes da EPM-CELP, que o voto estudantil tão vigorosa e enfaticamente creditou em junho do ano letivo transato?

Antes de introduzir mais profundamente a situação, creio ser pertinente fazer uma declaração de interesses, apenas com o intuito de fornecer aos leitores os dados que lhes permitirão julgar a situação autónoma e pessoalmente: é um facto que, desde a sua fundação, tenho tido uma ligação bastante próxima com a Associação de Estudantes da nossa escola, tendo não só contribuído para o seu estabelecimento como também tendo concorrido à sua presidência nas últimas eleições. Ora, se muitos pensam que a minha derrota nas urnas me afastou da Associação que ajudei a criar, enganam-se. Desinteressadamente, continuo a desejar o melhor dos sucessos à Associação, que ajudei a formar por acreditar que pode vir a ser uma peça fundamental não só no aprofundar do diálogo entre os alunos e a Direção escolar, como também na sua fulcral importância na abertura do espírito crítico dos alunos, como já acima referi.

Deste modo, é com profundo pesar que, atualmente e apenas a pouco mais de um mês do término do primeiro período letivo, constato a ineficiência, apatia, amorfismo e falhanço da atual direção. O que deveria servir para uma maior integração da comunidade escolar, para um reforço do diálogo entre os membros da comunidade educativa, transformou-se num clube privado em autogestão. O que deveria ser uma iniciativa para aproximar a população escolar de ideais democráticos e de uma cidadania mais ativa e participativa desvirtuou-se rapidamente, tornando-se num fantoche dos piores vícios da nossa democracia.

O que era suposto ser uma proposta de plano eleitoral foi, rapidamente, negado, escondido, transfigurado e radicalmente ignorado, num insultuoso esquecimento das promessas de há apenas cinco meses e dos eleitores que nelas acreditaram. O que seria uma organização multifacetada mais não faz do que organizar comemorações e festinhas, ignorando toda e qualquer atividade de outro género, tornando-se numa filial de uma companhia de eventos em tempo de saldos. O que deveria ser o respeito pelo regulamento da instituição foi esquecido, sonegado e ignorado até aos limiares da ilegalidade. Não é assim?

Se me tomam por tendencioso, falem. Certamente perceberão que não o sou: apenas quero o melhor para a instituição que ajudei a fundar, que espero nao só poder vir a estreitar as relações dentro da comunidade educativa, como também servir de farol e inspiração para muitos alunos, facilitando a sua integração numa realidade tão atual como a necessidade do incremento da participação individual nos projetos da comunidade à qual pertence.

Agora, certo é que não me calarei. Não, enquanto assistir à apatia, indiferença, aproveitamento e hipocrisia por parte de responsáveis que, ao invés de seguir o seu plano eleitoral, transformam um bem comum numa coutada privada. Não, enquanto as promessas eleitorais, que tão generosamente souberam multiplicar, continuem caídas no mais profundo esquecimento. Não antes desta instituição ser utilizada para o seu verdadeiro fim - que, como já referi, foi totalmente subvertido - e de se tornar um local de partilha de opiniões, experiências, sonhos.

Minto? Exagero? Sou pessimista? Cada um fará a sua leitura. Por mim, as opções são simples e fáceis, pois apenas assim poderão manter a confiança depositada em vós: ou se retratam, alteram totalmente o rumo seguido até agora e abrem a Associação aos vossos colegas, ou bem que se podem demitir amanhã. Afinal, não foi para isto que foram eleitos, não foi para defraudarem as expetativas dos vossos eleitores nem para se apropriarem de um bem que é de todos, explorando-o como se de um clube se tratasse.

Afinal, ninguém merece um governo que apenas se governa a ele próprio. Muito menos um desgoverno apático.

Miguel Padrão (11.º A1)Miguel-Padrao


Comentários   

+1 #2 Maria Ilídia Almeida 05-11-2013 01:18
Um olhar atento e uma voz sempre presente.Parabé ns!
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0 #1 Dinis 04-11-2013 19:55
Muito bem Miguel, acreditamos num mundo melhor, e esperamos que te oiçam, ainda há esperança, e como a esperança e a ultima a morrer, vamos ter fé!!!!! E talvez um pouco de pó de fada!!!!
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